Os Vencedores do Festival de Cannes 2016

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Palma de Ouro – Ken Loach, I, Daniel Blake

Os vencedores da Palma de Ouro foram anunciados agora pouco, o júri presidido por George Miller (Mad Max) foi totalmente o contrário da  crítica, ao menos foi o que pareceu com o anúncio dos premiados – a Palma de Ouro, prêmio principal ficou com I Daniel Blake, de Ken Loach – que se juntou ao seleto grupo de diretores com duas Palmas. Já na seleção se sabia que alguns diretores não sairiam de mãos vazias, não com o histórico que alguns deles tinham como Xavier Dolan que ganhou seu segundo Grande Prêmio do Júri por Juste La Fin du Mond, Andrea Arnold que acumula seu terceiro Prêmio Especial do Júri (American Honey) em todas as outras categorias deu zebra – Sônia Braga, Ruth Negga foram engolidas por Jaclyn Jose (Ma’ Rosa) na categoria de melhor atriz, por outro lado, Adam Driver (em Paterson, favorito da crítica) perdeu para Shahab Hosseini, de Forushande, de Asgar Farhadi que acabou ganhando melhor roteiro também, a zebra mesmo ficou por conta do prêmio de melhor direção, que foi parar nas mãos do vaiado Oliver Assayas, por Personal Shopper.

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Grande Prêmio do Júri – Xavier Dolan, por Juste La du Monde

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Melhor Diretor – Olivier Assayas, de Personal Shopper

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Melhor Diretor – Christian Mungiu, por Bacaleraut

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Melhor Atriz – Jackln Jose, de Ma’Rosa

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Melhor Roteiro – Asghar Farhadi, de Fourshande

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Prêmio Especial do Júri – Andrea Arnold, por American Honey

Cannes Dia 1 – Woody Allen e a abertura do Festival de Cannes.

Cannes1Depois de filmes detonados pela crítica como “Grace de Mônaco” e “O Grande Gatsby”, o Festival de Cannes decidiu apostar num valor seguro para abrir a edição deste ano. Todo mundo ama Woody Allen, mesmo que seus novos filmes não sejam tão bons como nos tempos de “A Rosa Púrpura do Cairo” ou “Hannah e suas Irmãs”.

Seu novo “Café Society”, é primo de “Meia-Noite em Paris”, que abriu o festival há cinco anos: um filme de época charmoso, com bastante romance e um certo tom melancólico. Bobby (Jesse Eisenberg, o Lex Luthor de “Batman vs Superman”) é um rapaz judeu de Nova York que vai pra Los Angeles trabalhar com o tio (Steve Carell, que substituiu Bruce Willis nas filmagens), um poderoso agente de atores em Hollywood. O rapaz se apaixona por Vonnie (Kristen Stewart), secretária do tio – mas ela tem um namoro secreto com um homem mais velho. Quando o romance empaca, ele volta a Nova York para ajudar o irmão mafioso a dirigir o luxuoso Café Society do título.

Como sempre nos filmes do diretor, Jesse é um alter ego de Woody – mais próximo ainda pelas origens judaicas. “Se fosse anos atrás, eu mesmo faria o papel. Mas eu faria de um jeito menos inspirado, porque sou comediante, não ator. O Jesse tornou o personagem mais complexo e interessante”, disse Allen.

Woody filma Kristen Stewart como uma diva de filme noir dos anos 1940, com seus belos olhos cinza, sem as lentes castanhas que fizeram dela a mocinha comum da saga “Crepúsculo”. E também participa narrando a história toda. Como Kristen é apaixonada por um homem mais velho no filme, Allen não pôde escapar da pergunta de uma repórter: por que em seus filmes há sempre homens mais velhos com mulheres mais novas, e não o contrário?

“Eu não hesitaria em filmar isso se eu tivesse uma boa ideia. Mas não vejo muitas experiências assim na vida real. Quando eu tinha 30, lembro que era muito atraído por uma mulher maravilhosa de 50. Mas não tive ideia ainda para uma história”, respondeu, acanhado, logo depois de se definir como um cara romântico. “Não que as mulheres da minha vida necessariamente concordem com isso”, brincou.

Allen é conhecido por seu casamento polêmico com Soon-Yi, 35 anos mais jovem e filha adotiva de sua ex-esposa, Mia Farrow.

Fonte – UOL Cinema.

1ª Semana do Cinema Nacional – Balanço


Beira-Mar, de Filipe Matzembacher, Márcio Reolon

O cinema do sul está caminhando aos poucos, infelizmente como o cinema de todos os cantos, ele acaba errando feio, principalmente ao tocar em um tema da mesma forma, com a mesma abordagem falha de sempre. Martin viaja ao litoral do Rio Grande do Sul para visitar parentes distantes e convida Tomaz para acompanhá-lo. O rapaz aceita a proposta de imediato, na esperança de reaproximar-se do amigo. Vivendo por dias em um universo à parte, o da viagem, os jovens exploram suas diferenças, refletem sobre o distanciamento surgido entre eles e se permitem a experiência de um interesse romântico. O mar, frio e revolto no inverno, é elemento essencial na composição desta jornada pessoal — os personagens isolam-se em uma casa de vidro na praia. Os atores são péssimos, os diálogos são péssimos, as situações são péssimas, o filme não exige nada nem do espectador e nem do próprio filme, um total desperdício de dinheiro e tempo.


O Contador de Histórias, de  Luiz Villaça

O que era para ser uma história contata por um contador de história, falha por não se aprofundar o suficiente na sua própria história, usar atores que não passam segurança alguma – o filme conta a história de Roberto Carlos Ramos que é internado por sua mãe em uma instituição para menores carentes em Belo Horizonte. Dotado de imaginação fértil, chega aos 13 anos analfabeto, com mais de 100 fugas no currículo, várias infrações e o diagnóstico de irrecuperável. O encontro com uma pedagoga francesa mudará, para sempre, a vida de Roberto – o filme é lotado de clichês, não se inova, o ator mirim que interpreta Roberto é péssimo, em outras palavras, o filme se sabota por falta de ousadia.


Entre Abelhas, de Ian Sbf

O mais incrível do filme é que Fábio Porchat não sabota o filme, não inteiramente, é uma história criativa, diferente e foi justamente por isso que o filme não foi muito bem nas bilheterias, justamente porque não é aquela comédia escrachada que a maioria espera de Porchat – Depois de se separar da sua mulher, Bruno começa a deixar de ver as pessoas, começando a tropeçar nelas, esbarrar, tudo sem ver. Com a ajuda da família, ele tenta melhorar sua situação e descobrir o que está acontecendo. Particularmente o filme não me agradou, mas como é diferente da maioria dos filmes nacionais, digo com mais ousadia, o filme se compensa.


Casa Grande, de Fellipe Barbosa

O olhar de um adolescente sob sua família que aos poucos, está se afundando financeiramente, foi um sucesso de crítica – não da minha parte – Jean é um adolescente rico que luta para escapar da superproteção dos pais, secretamente falidos. Quando o motorista de longa data é demitido, Jean tem a tão sonhada chance de pegar o ônibus público pela primeira vez, no ônibus, ele conhece Luiza, uma aluna da rede pública que começa a abrir seus olhos para as contradições de dentro e fora da casa grande. O filme carrega estereótipos, os personagens são clichês, os mesmo de sempre, as situações que já vimos em outros filmes não ajudam e o final deixou muito a desejar, uma pena.

O MELHOR AMIGO (Allan Deberton, 2013)


O cinema nacional está cada vez criativo, ano após ano se superando e superando suas próprias barreiras, os atores não se importam mais em interpretar personagens homossexuais, assim como os diretores não tem mais vergonha de jogar diante da tela, o que é real, o que de fato acontece na vidas das pessoas. Só que infelizmente alguns diretores ainda não sabem fazer isso da melhor forma, ou pecam em algum momento – esse é o caso do curta O Melhor Amigo, curta que infelizmente nada, nada mas, acaba morrendo na praia. O curta narra o primeiro dia de férias, Lucas e Felipe que decidem ir à praia. O passeio se mostra revelador para Lucas, que é tomado por sentimentos inesperados surgindo, então, uma paixão platônica e oculta. Tudo acaba ai, o curta se priva o tempo inteiro que quebrar barreiras, fica naquele clássico jogo de chove não molha, de olhares e deixa o espectador à deriva, abrindo espaço para interpretações onde não existe, os diálogos são ruins, o ator que interpreta Felipe exala o quanto ele é ruim, por outro lado Jesuíta Barbosa, está cada vez mais a vontade em personagens homossexuais, no fim das contas é um curta que não fala nada, por falta de ousadia.

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O CHEIRO DO RALO (Heitor Dhália, 2007)


O filme exala estranheza tanto quanto exala o cheiro do ralo.

O ótimo filme de Dhalia  foi lançado em vários festivais, ganhou prêmios, mas na época de seu lançamento foi muito limitado, o que é injusto, já que é um dos filmes brasileiros mais interessantes e estranhos dos últimos anos, claro que, esse não é dos melhores, mas com certeza dos mais interessantes, muito por causa de toda coisa estranheza que o filme passa, uma mistura entre comédia e drama pessoais, que não deve agradar a todo mundo, infelizmente.

Lourenço personagem de Selton Mello em tom cômico e cético na mesma proporção, se encontra em inferno astral, o traseiro da garçonete do bar, objeto de desejo máximo do personagem, é um martírio para ele, não maior que o cheiro do ralo, não importa muito o que o ralo significa, por vezes até achamos que o cheiro não existe, que talvez seja coisa de Lourenço, mas logo fica claro que, não é. O problema é que Lourenço é dono de uma “empresa” essa que guarda milhares de coisas inúteis, mostrando o quanto o personagem é depressivo.

O diretor criou um mundo, onde tudo gira em torno do ralo, em outras palavras, um mundo cheio de sujeira, o filme proporciona sensação de sujeira e desconforto (tudo é muito feio e sujo, quase que como espelhando a vida de Lourenço. Tudo é sujo, desde os passeios sem fundamento do diretor, até os planos mais abertos, mostrando a cidade e seus muros, cheio de pichações, também sujos.

Olhando por um outro lado, o filme sem dúvida não agradou ao grande público, parece que o diretor queria agradar, principalmente os mais cinéfilos, os mais chegados ao cinema, aquelas que não se incomodam com qualquer coisa, por outro lado, é uma cinema mais autoral, Heitor Dhalia queria exibir seu cinema, seus planos e claro, a estranheza da obra original.

Para o cinema nacional, esse é um filme que supostamente deveria ter mais valor, outrora que o cinema nacional ainda atraí comentários negativos, tanto do público quanto a crítica, o filme é sujo e por vezes até sentimos o cheiro do ralo, traseiros expostos são o tema central, e até um frontal por parte da personagem drogada que acabou se prostituindo, expondo seu corpo, também é uma cena feia, mas que funciona dentro do espírito do filme, divertido, embora em vários momentos recorra a clichês, como o escândalo armado pela ex-noiva após a separação, ou a garçonete que trabalha com uma mini-saia que apropriadamente se abaixa para pegar algo, revelando seus dotes físicos.

O cinema nacional vacila entre o bom e o ruim, o ótimo e o péssimo, O Cheiro do Ralo é um filme que fica entre as partes, não é um ótimo filme, não é um filme que se indique para o grande público, o que é uma pena, pois esse público está perdendo um bom e estranho filme.

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BRÓDER (Jeferson De, 2010)

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Jeferson De está de parabéns pelo seu senso técnico e estético bastante promissor, já que mesmo em seu primeiro longa é capaz de demonstrar personalidade.

Antes de tudo, é necessário saber que Bróder é mais um filme feito na favela, com personagens que moram na favela, com tráfico e características bem simples que representa a pobreza de certos lugares do Brasil. Uma pena que este breve alerta tem tirado o interesse de muitas pessoas por ser mais um tipo de “Favela Movie” ou por ser mais um dentre as inúmeras obras que retratam a pobreza, O que é uma grande injustiça por parte de quem não sabe nada do cinema nacional e só conhecem os enlatados comercias, que geralmente são os que degradam nosso cinema, e por isso deixam de assistir ótimos exemplares como este. Esse tema é uma realidade nacional onde há uma riqueza de possibilidades para se explorar cinematograficamente. Compre esta proposta e conheça esta ótima surpresa do nosso cinema.

A visão de alguém da periferia falando sobre a periferia já traz um diferencial bastante notável. Jeferson De, faz do Capão Redondo, periferia de São Paulo, um dos personagens centrais do longa. Sua câmera passa pelos lugares mais íntimos, pelos personagens de todo os tipos, até mesmo um defunto no chão. E os 3 amigos Macu (Caio Blat), Jaiminho (Jonathan Haagensen) e Pibe (Silvio Guindane) são os objetos usados para a exploração dos lugares. No plano inicial, por exemplo, Macu parece estar familiarizado com todos ao cumprimentá-los enquanto desce as escadarias e becos da comunidade. Quase soa artificial fazendo-o parecer um candidato à prefeitura, se não fosse os planos sucessores que comprovam a relação bastante amigável e a união entre os moradores do local que parecem ser os mesmos dentro dos lugares parecidos, como a união e afinidade dentro da comunidade, por exemplo.

Jeferson De está de parabéns pelo seu senso técnico e estético bastante promissor, já que mesmo em seu primeiro longa é capaz de demonstrar personalidade, algo que é fundamental para que seu filme não se caracterize apenas como mais um do sub-gênero da violência urbana brasileira. Seus planos-sequências são muito bem projetados e alguns belos enquadramentos são bastante notáveis. Jeferson De acha desnecessário os movimentos bruscos e muito balanceamento de câmeras e aposta em planos estáticos, os personagens falam em outro lugar mas a câmera continua focada na reação da pessoa que está ouvindo, como na cena do aniversário com a família, por exemplo, os convidados se servem mas não vemos para onde vão, apenas a mesa sendo esvaziada.

Mas isso é só uma característica, um detalhe que difere o trabalho do diretor, mas o poder da história e a afinidade entre personagens que Jeferson De tem nas mãos é o grande potencial de Bróder. Ela acontece em 24 horas, mostrando a relação de três amigos que se reencontram para comemorar o aniversário de um deles (Macu, interpretado por Caio Blat). Após anos sem se verem, as coisas mudaram, os tempos são outros, mas os três parecem manter a mesma condição de amigo um para com o outro. A linguagem dos atores e a expressão corporal também dão uma naturalidade extra aos personagens. Por isso, Bróder tem, sem dúvidas, um dos melhores elencos do ano; Cássia Kiss dando um show como a mãe de Macu, grande personagem inclusive, cristã, casada com um marido problemático e com um filho viciado. Mas são mesmo os três atores que brilham durante o filme, em especial Caio Blat, entregando uma das melhores atuações masculinas do ano. Jaiminho (Jonathan Haagensen), agora jogador de futebol, parece tentar provar para si mesmo que, mesmo famoso e bem-sucedido, não perdeu as raízes humildes.

O roteiro escrito pelo próprio diretor merece muito ser lembrado. Em apenas 90 minutos e sem necessidade de flashbacks ou apelar para uma narrativa que pudesse incluir o passado dos personagens, a história acontece em um único dia, e conseguimos saber muito sobre todos eles e seu passado. Deixem de lado o preconceito. Bróder é uma grande surpresa e tomara que a carreira de Jeferson De seja promissora.

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Diário de Cannes .:: Os acréscimos.

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Foi anunciado na manhã de hoje, os filmes que seriam acrescentados em algumas mostras da próxima edição do Festival de Cannes, em todas as mostras um ou mais filmes foram acrescentados e por sua primeira Palma d’Ouro, está ninguém menos que Asgar Fahradi.

Palma de Ouro
The Salesma, de Asghar Farhadi

Um Certo Olhar
Eshtenack, de Mohamed DIAB (Egypt)
Hell’or High Water , de David Mackenzie (Great Britain)

Sessão da Meia-Noite
Blood Father, de Jean-François Richet (France)