O CHEIRO DO RALO (Heitor Dhália, 2007)


O filme exala estranheza tanto quanto exala o cheiro do ralo.

O ótimo filme de Dhalia  foi lançado em vários festivais, ganhou prêmios, mas na época de seu lançamento foi muito limitado, o que é injusto, já que é um dos filmes brasileiros mais interessantes e estranhos dos últimos anos, claro que, esse não é dos melhores, mas com certeza dos mais interessantes, muito por causa de toda coisa estranheza que o filme passa, uma mistura entre comédia e drama pessoais, que não deve agradar a todo mundo, infelizmente.

Lourenço personagem de Selton Mello em tom cômico e cético na mesma proporção, se encontra em inferno astral, o traseiro da garçonete do bar, objeto de desejo máximo do personagem, é um martírio para ele, não maior que o cheiro do ralo, não importa muito o que o ralo significa, por vezes até achamos que o cheiro não existe, que talvez seja coisa de Lourenço, mas logo fica claro que, não é. O problema é que Lourenço é dono de uma “empresa” essa que guarda milhares de coisas inúteis, mostrando o quanto o personagem é depressivo.

O diretor criou um mundo, onde tudo gira em torno do ralo, em outras palavras, um mundo cheio de sujeira, o filme proporciona sensação de sujeira e desconforto (tudo é muito feio e sujo, quase que como espelhando a vida de Lourenço. Tudo é sujo, desde os passeios sem fundamento do diretor, até os planos mais abertos, mostrando a cidade e seus muros, cheio de pichações, também sujos.

Olhando por um outro lado, o filme sem dúvida não agradou ao grande público, parece que o diretor queria agradar, principalmente os mais cinéfilos, os mais chegados ao cinema, aquelas que não se incomodam com qualquer coisa, por outro lado, é uma cinema mais autoral, Heitor Dhalia queria exibir seu cinema, seus planos e claro, a estranheza da obra original.

Para o cinema nacional, esse é um filme que supostamente deveria ter mais valor, outrora que o cinema nacional ainda atraí comentários negativos, tanto do público quanto a crítica, o filme é sujo e por vezes até sentimos o cheiro do ralo, traseiros expostos são o tema central, e até um frontal por parte da personagem drogada que acabou se prostituindo, expondo seu corpo, também é uma cena feia, mas que funciona dentro do espírito do filme, divertido, embora em vários momentos recorra a clichês, como o escândalo armado pela ex-noiva após a separação, ou a garçonete que trabalha com uma mini-saia que apropriadamente se abaixa para pegar algo, revelando seus dotes físicos.

O cinema nacional vacila entre o bom e o ruim, o ótimo e o péssimo, O Cheiro do Ralo é um filme que fica entre as partes, não é um ótimo filme, não é um filme que se indique para o grande público, o que é uma pena, pois esse público está perdendo um bom e estranho filme.

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